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| Os soldados começaram a gostar de Joana. O amor foi inspirado por algo mais que sua afeição. Andavam eles ansiosos por alguém que pudesse extrair aquilo que tinham de melhor, levando-os ao heroísmo. Entretanto, comandantes de batalhões não sentiram o mesmo entusiasmo, recusando-se a reconhecer a autoridade da "donzela". Eles hesitavam em realizar o tipo de assalto aberto e direto que Joana pretendia.
Primeiramente, Joana proporia aos ingleses que fizessem a paz. Queria escrever para eles. Uma pessoa escreveria por ela, e as palavras escritas seriam aquelas ditadas pelas vozes que ouvia:
Duque de Bedford, que se entitula regente da França, a Donzela enviada por Deus lhe roga que não provoque a destruição de si mesmo e de seu exército. Mas se o senhor se desviar da justiça, ela irá defender os franceses e será efetuada a mais bela façanha jamais feita na cristandade.
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Os ingleses tinham construído sete fortalezas em volta da cidade de Orléans. Estavam com posições bem entrincheiradas, e desalojá-los parecia tarefa difícil. Os comandantes preferiam a tática de esperar para ver se os ingleses se cansavam do cerco. Pensavam que Joana pudesse ser útil como mascote que levantaria a moral da tropa e nada mais. Planejavam enviá-la com alimentos para o povo da cidade sitiada, animando-o a resitir. Quando soube de tudo isso, a jovem ficara furiosa.
Na manhã de 4 de maio, Joana foi acordada cedo por uma grande agitação na rua. As forças francesas haviam atacado o pequeno forte inglês de Saint Loup. Como não foi informada sobre o ato, rapidamente pegou o estandarte e a espada e dirigiu-se ao campo de batalha. |
O plano de Joana era tomar dois fortes ingleses menores que cercavam Órleans. Com os ingleses seriamente abalados, assaltaria a fortaleza maior, o forte de Les Tourelles. Sua estratégia era simples: nenhum desvio, apenas ataque direto. Quando os franceses atingiram o primeiro forte, o Saint-Jean-Le-Blanc, os ingleses, atemorizados com a nova audácia, se renderam quase imediatamente. O segundo forte, Les Augustins, fora seguramente construído sobre ruínas de um antigo mosteiro e já não era difícil atingir. Ainda assim, ao anoitecer, os ingleses haviam perdido também posição.
Apesar de toda essa demostração, os comandantes aconselharam a Joana não tentar atacar Les Tourelles. Os homens estavam cansados, argumentaram. Mas Joana Darc não alterou os planos. Na manhã de 7 de maio, chamou os soldados que, cansados e confiantes, partiram.
| Joana subiu no bastião que ficava diretamente em frente ao de Les Tourelles, o principal baluarte em mãos dos ingleses. Pediu a presença de Sir William Glasdale, que ela sabia ser o capitão encarregado. "Eu lhe peço que desista. Tenho ordens de Deus e de Seus Santos, e digo-lhe que seu lugar não é aqui. Vá embora, para que suas vidas sejam salvas" Sir Glasdale riu dela. "Volte para os seus campos, vaqueira! Lá é que é o seu lugar. Não se meta em assuntos que fogem à sua compreensão" "O senhor usa palavras ousadas" retorquiu Joana "Mas pense bem. Em breve o senhor irá embora. Deveria arrepender-se depressa. Muitos dos seus soldados serão abatidos, mas o senhor não estará aqui para ver" Glasdale desceu da torre. Parecia um pouco abalado...
Ao atingirem o forte, os homens lançaram ao ataque, surpreendendo por sua fúria. Les Tourelles era uma fortaleza com um profundo fosso circundando sua base, dificultando a escalada dos muros (nas batalhas do século XV, as escadas eram encostadas nas muralhas e os homens combatiam sobre elas).
Ao final da tarde, muitos franceses haviam perecido e o progresso fora pequeno. Joana que estivera o tempo todo na linha de frente, foi derrubada por uma flechada no ombro esquerdo.
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No outro dia, 8 de maio, Joana recebeu a notícia de que os ingleses estavam abandonando até mesmo os fortes que ainda permaneciam em suas mãos. Ela chorou muito pelos ingleses mortos. Orléans era agora inteiramente dos franceses e isso era tudo que importava. Em apenas 3 dias, Joana realizou o que para os comandantes era quase impossível. Todos acreditavam ter presenciado um milagre. Os padres da cidade organizaram procissões em sua honra e as autoridades declararam que o dia 8 de maio seria sempre um dia de festa na cidade. Ela era tratada como santa. Joana ganhou muitos presentes por sua vitória. Dentre seus ganhos favoritos estão finas vestes e bons cavalos. Mas no lado dos ingleses, que estavam seriamente abalados, não houve festejo algum. Na carta que escreveu ao rei da Inglaterra resumindo o que acontecera em Orléans, o duque de Bedford, governador inglês de Paris, descreveu Joana como "uma discípula e partidária do demônio". Ouvindo as façanhas de Joana, muitos ingleses convocados para lutar na França recusaram-se a ir. |