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O monarca francês Filipe IV, conhecido por Filipe, o Belo, vivia atrapalhado com suas despesas na corte. Em determinado momento, procurou impedir que grandes quantias saíssem da França para a Santa Sé, o que provocou desentendimentos com as autoridades eclesiásticas. Filipe mandou que representantes fossem à Itália para repreender Bonifácio VII, o chefe da Igreja, que poucos dias sobreviveu aos ultrajes sofridos. E em 1307, Filipe conseguiu a transferência da sede do papado de Roma para Avinhão.
Mas os "feitos" do monarca francês não pararam por aí. Ele conseguiu ainda a extinção da Ordem dos Templários, de cujos tesouros se apoderou e, travou guerra com Flandres, a fim de obter suas riquezas. Este último fato atrapalhou muito os negócios ingleses no local, cujo comércio foi prejudicado devido às batalhas.
Filipe tinha muitos filhos homens, que não lhe deixaram descendentes. Quando o último deles faleceu, deveria a coroa francesa passar para o rei da Inglaterra, Eduardo III, que era neto de Filipe, porém pela parte de mãe. Como os fidalgos franceses não queriam um monarca estrangeiro, lembraram-se de um antigo regulamento, a Lei Sálica, que impedia que descendentes de mulheres tomassem o poder. O soberano britânico recorreu à guerra. Passou a ser apoiado pelos seus súditos, devido aos prejuízos causados anos antes por Filipe à economia.
Muitas batalhas foram travadas. A França perdia seu território consideravelmente, até que a paz foi assinada em Bretigny (1360), onde a vitória britânica foi confirmada. O então rei francês, João, o Bom, chegou a se tornar prisioneiro dos inimigos e levado à Inglaterra.
Todavia, sob Carlos V, o sucessor de João, o Bom, grande parte do território francês foi recuperado. Mas no governo seguinte, o de Carlos VI, registraram-se sob o país grandes desordens provocadas pela desesperadora situação dos servos e pelas veleidades de negociantes e artesãos (burgueses) das cidades. A situação era calamitosa, o rei enloqueceu e sua esposa, Isabel de Baviera, cometia constantes desatinos.
Aproveitando-se dessa situação, Henrique V, o então monarca inglês, resolve atacar a França. A rainha Isabel abriu as portas de Paris aos invasores e combinou que, após a morte de Carlos VI, o sucessor de Henrique V subiria ao trono da França, uma vez que hostilizasse seu próprio filho. Anos mais tarde, Henrique VI realmente uniu as coroas das duas nações, com pleno assentimento do poderoso nobre francês, o Duque de Borgonha. Mas numerosos fidalgos negaram-se a reconhecer os direitos de Henrique VI e aclamaram o jovem Carlos VII, o filho mais velho de Carlos VI e Isabel.
Mas Carlos VII era uma pessoa muito influenciável. E sua situação era muito precária, já que os ingleses, além de possuirem a aliança do Duque de Borgonha, dominavam dois terços da França, inclusive Paris... Daí surge, como que por milagre, a jovem pastora de Lorraine, Joana Darc. Com ela, a coragem e perseverança contagiou os corações da humilhada tropa francesa...